A imagem como parte do posicionamento profissional
Na advocacia, conhecimento, experiência e capacidade técnica são fundamentais. Mas a forma como um profissional se apresenta também participa da construção de sua imagem e pode contribuir para transmitir confiança, cuidado e autoridade.
Foi a partir desse tema que Beatriz Fazio convidou o advogado Vitor Negrão, referência na área de Direito Patrimonial, para uma série especial da Camargo Alfaiataria. A proposta foi reunir a experiência de quem vive a rotina da advocacia para responder algumas das dúvidas mais recorrentes sobre vestimenta e posicionamento profissional.
Qual a melhor cor de terno para um advogado?
Quando falamos em construir uma base sólida para o guarda-roupa profissional de um advogado, o azul-marinho ocupa uma posição de destaque.
Elegante e extremamente versátil, ele funciona em reuniões, audiências, compromissos corporativos e eventos profissionais. Além disso, permite inúmeras combinações de camisas, gravatas e acessórios e harmoniza tanto com sapatos pretos quanto marrons.
O cinza, principalmente em tonalidades médias e grafite, é outra escolha estratégica. A cor transmite sobriedade e credibilidade e pode acompanhar praticamente todas as situações da rotina profissional.
Por isso, para quem está começando a estruturar um guarda-roupa para a advocacia, um terno azul-marinho e um cinza formam uma excelente base.
Já o terno preto possui uma leitura mais específica. Por transmitir maior peso e formalidade, costuma funcionar melhor em cerimônias, eventos noturnos ou situações em que se deseja comunicar uma imagem especialmente séria. Isso não significa que ele não possa fazer parte do guarda-roupa, mas talvez não seja a primeira escolha para quem procura máxima versatilidade.
Advogado precisa usar gravata?
Durante muito tempo, a imagem do advogado esteve quase automaticamente associada ao terno e à gravata. Com as mudanças nos ambientes profissionais, porém, essa relação se tornou mais flexível.
Hoje, dependendo da área de atuação, do compromisso e da cultura do escritório, é perfeitamente possível construir uma imagem profissional sem gravata. O importante é entender o contexto.
Em uma rotina menos formal, um bom traje sem gravata pode continuar transmitindo elegância e credibilidade. Já em uma palestra, reunião importante, audiência ou evento que exija maior formalidade, a gravata pode ser utilizada estrategicamente para elevar a composição e reforçar a autoridade.
A ideia de que todo advogado deve usar gravata vermelha também merece ser relativizada. Embora seja uma combinação tradicional, não existe uma obrigação. Tons de azul e vinho fechado, por exemplo, harmonizam muito bem com ternos azul-marinho. Modelos lisos ou com padronagens discretas também são escolhas interessantes porque complementam o traje sem competir visualmente com quem o veste.
A gravata, portanto, deixou de ser apenas uma obrigação de dress code para se tornar uma ferramenta de comunicação.
Advogado precisa usar terno todos os dias?
Essa é outra regra que mudou. A resposta depende cada vez mais da área de atuação, da agenda e do ambiente em que o profissional está inserido.
Não vestir terno diariamente, porém, não significa abandonar o cuidado com a imagem.
Uma calça sob medida combinada com uma polo de qualidade, por exemplo, pode construir uma produção corporativa contemporânea. Outra possibilidade é uma camisa bem cortada com calça de sarja, mantendo uma estética profissional sem exigir a formalidade de um costume completo.
O ponto central está na continuidade da imagem. Se o profissional transmite determinada autoridade quando veste alfaiataria, sua produção casual também deve conversar com esse posicionamento. Uma mudança no nível de formalidade não precisa representar uma ruptura na identidade visual.
É justamente nesse momento que tecido, modelagem, caimento e acabamento ganham ainda mais importância. Quando as peças são bem construídas, até uma combinação mais casual consegue comunicar cuidado e profissionalismo.
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